"Il Gattopardo" (1963), de Luchino Visconti, é um filme que me hipnotiza. Não é só pelo enredo e pelas personagens soberbas, sobretudo aquele Don Fabrizio de estalo, cáustico, rude, lúcido e gentil, um leopardo amansado, que vê o seu mundo brilhante e poeirento em desintegração, mas que se adapta, ainda que todo esse assunto seja um pouco "ignóbil". Lá terá que se vergar às insípidas hienas que galgam desajeitadamente os degraus da escada social (pobre Don Calogero) e esperar com alguma dignidade pela morte.
É também pelos detalhes do filme, pelo cuidado amoroso com que Visconti pinta cada cena (tudo me parece um quadro maravilhoso de Delacroix) ou o primor com que veste cada personagem. São aquelas cortinas ao vento nas cenas iniciais, o soldado morto no jardim, a batalha dos camisas vermelhas, a toalha branca do piquenique dos nobres, os enormes pastéis do banquete, a poeira de Donnafugata.







Fomos à Kino, Mostra de Cinema de Expressão Alemã, assistir ao documentário “How to make a book with Steidl", onde vemos o carismático e desconcertante editor Gerhard Steidl em acção, de bata branca, como um clínico, entalado em pilhas de papéis de cheiro viciante, diz ele, numa pequena e lucrativa tipografia localizada na cidade alemã de Göttingen, onde concebe os seus afamados livros de arte. Há 40 anos. Entre os seus clientes/amigos contam-se Günter Grass, Karl Lagerfeld/Chanel, ou fotógrafos como o encaracolado Joel Sternfeld.


