O ambiente da Belle Époque é recriado com muito charme e requinte e o filme é narrado com humor. Há um toque de frivolidade e perversidade em tudo aquilo, que assenta bem ao rol de protagonistas, as profissionais do amor e seus frequentadores.
Léa, a caminho da meia-idade, envolve-se com Chéri, uns bons vinte anos mais jovem que ela, porque o menino se aborrece e porque lhe dá prazer. Esse é o momento doce da história, que começa a amargar, quando, passados seis anos de relacionamento, o rapaz tem de casar, convenientemente. A partir daqui, é ver o sofrimento de ambos que não podem viver um com o outro, nem um sem o outro e isso é um pouco atroz, como o licor daquele bombom. No final do filme, a cereja, enrugada mas ainda muito bela, fita-nos de um espelho com os olhos parados em estupefacção e lucidez. Mas este pequeno confeito do Frears não chegou para me adoçar a boca.

"District 9" é um filme primorosamente bem construído e imensamente credível. Grande parte dele é uma reportagem televisiva, cheia de grão e de vivacidade. Esse expediente é o seu maior trunfo e o que o torna próximo de nós. É fundo, complexo e arrebatador porque não se trata já do primeiro encontro, romantizado, entre humanos e alienígenas. Nesta história, esse encontro aconteceu há 20 anos e revelou-se um imenso pesadelo logístico e moral.

