
"Re-Animator" (1985), de Stuart Gordon, é um filme insano e fenomenal. Herbert West é um cientista que descobre um fluido capaz de dar vida a tecidos mortos. Depois de conseguir reanimar um gato morto, entra na morgue do hospital universitário onde estuda e começa, sem peias, a testar doses em corpos humanos, que não ressuscitam beatificamente como Jesus, mas como bestas descontroladas, para gáudio do espectador. Quando o Dr. Carl Hill, o pérfido neurocirurgião, quer apoderar-se da descoberta, perde, literalmente, a cabeça e torna-se no vilão mais arrepiante e espantoso que já vi, de morrer a rir, com alguns esgares de nojo à mistura. "Re-animator" é um clássico do terror que adorei descobrir.
Antes, passou a curta-metragem de Fernando Alle, "Papá Wrestling", que pôs o auditório ao rubro. Sempre que este papá brindava com uma morte atroz os miúdos que tinham roubado a lancheira ao filho, a plateia explodia a rir. Ver um imponente luchador mascarado, vestido de cor-de-rosa, a esborrachar crânios e pernas de crianças é uma cena deveras risível. E não estou a ser irónica.




Eu gosto do Sacha Baron Cohen. Admiro a comédia física que faz, iconoclasta, embora indigesta. A última criatura que encarnou foi o inefável Brüno: homossexual austríaco, repórter de moda, exibicionista, tirânico e comovente, cujo objectivo de vida é ser famoso. O tipo tem graça, com todos os tiques e jeitos de boca que faz. As cenas, encenadas ou não, não nos deixam indiferentes de tão rasteiras, palermas e assustadoras. É que o Brüno ao lado das pessoas que vai encontrando nos Estados Unidos e noutros sítios é até uma "pomba da paz", literalmente. O que o Sacha Baron Cohen faz, para mim, não é tanto ridicularizar os homossexuais (concedo: talvez aqueles que se prestam ao ridículo), mas apontar as homofobias e as intolerâncias que persistem por aí. Se o sexo homossexual é risível, o sexo heterossexual também o é. E de que maneira. Se o "orgulho gay" é risível, o "orgulho heterossexual" ainda pode ser pior e a cena final no ringue machão é mesmo de antologia. "Brüno" atira-nos muita porcaria à cara, mas nós é que somos gozados, por termos pago para ver.